04/11/08

A FAMÍLIA BURKE NO BRASIL

ESCLARECIMENTOS INICIAIS
(Edição Revista e Ampliada – 2006)

A idéia de escrever um livreto sobre a história dos primeiros Burke no Brasil veio à mente de Thomas J. Burke, em Florianópolis, logo após ele ter voltado de Londrina, onde havia passado o Natal e as festas de fim de ano de 2002-2003 com seu irmão Edward e alguns dos seus filhos, netos, bisnetos e outros parentes próximos.
Recordando-se dos alegres bate-papos de Londrina, onde freqüentemente a conversa acabava indo para o lado da "hora da saudade", Thomas começou a pensar sobre o grande interesse que alguns dos mais jovens Burke mostravam em relação às suas origens, e como ficavam encantados com algumas das curiosidades e "historinhas" sobre os primeiros tempos da família, que os dois velhos irmãos lhes contavam. Ocorreu-lhe, então, que depois que os três últimos Burke brasileiros "originais" viessem a morrer, tudo aquilo que alguém sabia sobre a história do início da família acabaria, em pouco tempo, se perdendo para sempre (literalmente, não sobraria ninguém para contar a história...) No futuro, todos aqueles que portassem o nome Burke, ou tivessem alguma relação de parentesco com alguns deles, provavelmente não saberiam dizer nada sobre a origem daquele nome não muito comum, exceto, talvez, que ele vinha "de um norte-americano, chamado Burke, que imigrou para o Brasil há muitos anos". Então, veio-lhe à mente a idéia de que talvez ainda seria possível salvar alguma coisa daquele passado, se os filhos sobreviventes do casal fundador da família Burke no Brasil escrevessem um pouco sobre ela. (Veja no final destes esclarecimentos algumas considerações sobre a questão do "nome" de uma família).
Thomas resolveu, então, mandar um e-mail para sua irmã Henrietta e sua filha Mary, e o irmão caçula Edward, falando da sua preocupação e consultando-os sobre a idéia deles o ajudarem a escrever um pouco sobre os primeiros tempos da família Burke. Este foi o teor daquele e-mail:

E- Mail de Thomas para Henrietta e Mary Burke Passos, com cópia para Edward Burke - janeiro de 2002
Dear Mary and Tet
A bacanal de Londrina foi uma festa digna de Baco, como de costume. A tropa foi grande. Alem de nos dois, chegaram o Carlinhos; uma sua filha com sua filhinha Vitória (neta do Carlinhos, bisneta do Eddy); o Paulinho, com suas duas filhas (Paula e ?); o Luiz e o Henrique ("filho" do Carlinhos); tudo misturado com o bando do Edinho. Vocês podem imaginar a anarquia monumental que virou o pequeno apart do Eddy, com um só banheiro, gente dormindo espalhado pelo chão por todos os lados, em várias camadas (sem camas) etc., etc. Pescarias, churrascadas, jantadas, cervejadas, pizzadas e várias outras rias e adas. FORMIDÁVEL!!!!!
No meio da fuzarca, por incrível que pareça, houve momentos para se conversar sobre "os Burke" e ficou patente que as novas gerações não sabem quase nada a respeito da origem e dos primeiros tempos dos Burke no Brasil. Contudo, se mostraram vivamente interessados em obter mais informações sobre com tudo começou. Ficaram maravilhados com o pouco que pude lhes contar.
Agora, pensando mais sobre o assunto, cheguei à conclusão que se nós, os mais velhos sobreviventes dos primeiros tempos, não colocarmos no papel aquilo que ainda nos lembramos sobre a história de John e Emma (quem eram, de onde vieram, por que vieram, onde viveram, o que fizeram, os filhos e netos que tiveram, com quem se casaram, peripécias pelas quais passaram, fatos curiosos etc.), em bem pouco tempo tudo se esfumaçará e a saga dos primeiros Burke simplesmente acabará deixando de existir.
Eu, pessoalmente, não gostaria que isso acontecesse, e por isso estou disposto a tentar redigir um texto enxuto sobre "Os Primeiros Burke no Brasil", mas vou precisar MUITO da ajuda de vocês, fornecendo-me todo tipo de informação pertinente que tiverem ou conseguirem. O que vocês acham da idéia?
Eu não sei praticamente nada sobre nossos avós e bisavós e nossos parentes nos States (quem foram, quem são etc.). Não sei as datas de nascimento, casamento, morte e de vinda para o Brasil de John e Emma. Também não sei o nome completo de todos os seus filhos, netos e bisnetos, tataranetos nem as datas (pelo menos os anos) de nascimento, com quem se casaram etc.
Além dessas informações "frias e protocolares", pretendo registrar algumas coisas mais interessantes da vida de John e Ema e também dos seus filhos, inclusive alguns daqueles acontecimentos e historinhas que, quando contados, tanto fascinam os Burke mais novos, e que, certamente, irão deleitar as futuras gerações.
Portanto, estou contando com um pequeno esforço de colaboração de vocês para que esse projeto vá em frente. Não se preocupem em redigir nada bonitinho. Numa primeira fase, apenas tentem se lembrar ou descobrir o que puderem (nomes, datas, fatos etc.) e façam breves anotações sobre coisas que acham que valeria a pena colocar no trabalho. Numa segunda fase, eu montaria o "esqueleto" e o discutiria com vocês. Numa terceira fase, colocaria as "carnes e as gordurinhas" no esqueleto e voltaríamos a discutir sobre o trabalho. Finalmente, daria os retoques necessários, com a aprovação de vocês, para a "publicação".
Gostaria de montar o esqueleto até maio, quando eu aproveitaria uma ida até São Paulo e Santos para trocarmos idéias e combinarmos os próximos passos. Portanto, se vocês acharem que vale a pena tentarmos levar avante o projeto, mãos à obra, e me mandem o que conseguirem até o fim de março.

Beijos!
Tommy

A reação ao e-mail foi imediata e entusiástica, e o resultado foi a primeira edição de "Os Burke no Brasil, 1919 - 2003"; logo seguida da segunda edição (com alguns acréscimos e pequenas correções). Como disseram, esse era "o seu legado aos 'Burke' ¾ aos que estão por ai, e àqueles que certamente virão no futuro".
Mas Thomas não se deu por totalmente satisfeito, e resolveu trabalhar na elaboração de numa terceira edição, na qual seriam incluídas mais algumas informações e enriquecida com um grande número de novas ilustrações. Desse esforço resultou a versão do livreto e do site, agora quase um livro, reestruturada e ampliada, com o novo título "A Família Burke no Brasil, 1919 – 2004". Mas no início de 2005 constatou-se que uma das fotos tinha sido erroneamente identificada, e também foram conseguidas mais algumas fotos importantes, que tinham ficado faltando na edição de 2004. Estes fatos levaram às pequenas modificações, substituições e aos acréscimos que aparecem nas edições de 2005 e 2006.
As várias edições deste trabalho resultaram de uma colaboração entre Henrietta, Thomas e Edward Burke, e contou com a ajuda de Mary Burke Passos, e também de James J. Waechtler (um Roggemann, no Canadá, que pesquisou principalmente as origens mais remotas dos Roggemann). Pedro Paulo Burke forneceu alguns dados complementares para a biografia do seu Pai. Algumas das fotos colocadas no livreto foram cedidas por John U. Burke (Johny), Edward Burke Jr. (Edinho), Carlos Jorge Burke (Carlinhos), Elza Maria Burke (Bia), João Burke Passos (Joãozinho), Iracema Passos Martins e Patrícia Fontaneda Burke. Johny também colaborou fazendo uma revisão da 1ª. edição e sugerindo algumas correções. (Veja outras fontes abaixo)

Considerações Sobre "Nomes de Famílias"
por Thomas J. Burke
Por que as pessoas costumam dar tanta importância aos nomes de suas famílias, ou aos de outras pessoas? Por que gostam de dizer que fulano é "um Prado", "um Barbosa", "um Roggemann", e assim por diante? Por que as pessoas chegam até a pagar para que outras pessoas pesquisem e façam suas árvores genealógicas? Que importância tem o fato de você carregar o nome "Burke", ou estar a ele relacionado de alguma forma? Não perca muito tempo tentando responder a essas perguntas. Possivelmente, você acabaria meio confuso, sem saber bem o que dizer. Uma boa resposta exigiria todo um longo tratado bio-psico-social sobre "motivações profundas". Contentemo-nos, portanto em aceitar simplesmente o fato de que as pessoas, por vários motivos, têm um interesse ou curiosidade em relação aos "nomes de família" ¾ suas e, às vezes, de outras ¾ dando-lhes maior ou menor importância.
Mas há um outro aspecto importante nessa questão, e sobre o qual as pessoas não costumam parar para pensar: O que é um "nome de família"? Ou, melhor dizendo, o que é que o "nome de família" designa realmente? O que é que estou dizendo quando digo que eu sou um Burke, por exemplo? Quanto do "sangue dos Burke corre em minhas veias"? Quem faz e quem não faz parte de uma certa família? Somente aqueles que foram registrados com aquele determinado sobrenome? E aqueles (geralmente aquelas) que abdicaram do seu sobrenome original ao se casarem? Se eu sou "uma Burke de nascença" e me caso com um Onassis, e passo a assinar, Astrogilda Onassis, deixo de pertencer à família dos Burke, e entro para a família Onassis? E meus filhos? Marido e mulher não são parentes entre si, mas são parentes de seus filhos, netos, bisnetos etc, e, ainda mais, o nome que eles colocam neles depende do gosto e dos costumes. Há povos onde o costume é colocar nos filhos o sobrenome da família da mãe e não do pai (talvez o mais correto, já que a paternidade é bem mais duvidosa que a maternidade). E quando um casal adota uma criança com se fosse legítima, e coloca nela o sobrenome da família? E os filhos "naturais" (nunca vi um filho não natural...), resultantes de convívios maritais ou de aventuras extraconjugais? No meio dessa crescente confusão, onde, então, começa e termina uma dada família, identificada por um certo nome? Novamente, não tente responder, você vai ficar mais confuso ainda.
A única maneira de fugir dessa barafunda seria apelar para a genética, para o DNA, para os genes, e não para o "nome da família", ou para os "laços históricos de parentesco". O único modo verdadeiramente seguro de saber quem você realmente é, de onde você veio, quem são seus parentes, e quão próximos ou afastados está deles, seria através do "mapeamento de DNA". Mas, atualmente, dificilmente alguém se daria ao trabalho e arcaria com os custos de mandar fazer mapas do seu genoma e o de outras pessoas, supostamente parentes, para saber se e em que grau pertence a uma dada família. Talvez no futuro isso venha a ser uma coisa corriqueira, mas no momento temos que nos contentar com a tal "árvore genealógica" (a "family tree"), construída a partir de informações prestadas por pessoas e registros documentados. Mas a árvore genealógica pode também ser olhada não apenas quanto aos nomes dos indivíduos localizados em cada uma de suas ramificações, mas o quanto cada um deles, presumidamente, é portador dos genes dos "fundadores" da família, ou seja, quanto de DNA da família "corre em suas veias".
Os genes, minúsculos "pacotes" de DNA, contidos em todas as células de um indivíduo ¾ responsáveis pela formação e funcionamento do organismo, inclusive, em grande parte, pelo seu comportamento e até sentimentos ¾, vieram, metade do seu pai (através do espermatozóide) e metade de sua mãe (através do óvulo). Se você for um homem, seu filho terá metade da sua mistura genética e metade da mistura de genes da mãe dele, e assim por diante, através das sucessivas gerações. É fácil perceber que, se passarmos a construir a árvore a partir de você, seu filho terá 50% dos seus genes e 50% dos genes da mãe dele, portanto, para ele, o nome da família tanto poderia ser o do pai como a da mãe. Seu neto terá 25% dos seus genes, 25% dos genes da sua avó e 50% dos genes da mãe dele, portanto, seu sobrenome, para ser mais justo, deveria ser o da mãe dele e não o seu. Seu bisneto terá apenas 12,5% dos seus genes, seu trineto 6,25%, seu tataraneto apenas 3,12% dos seus genes, e assim por diante. Em poucas gerações, só restarão, nos seus descendentes, traços dos seus genes e de sua esposa, misturados com um montão de genes de outras famílias, não importa se eles ainda carreguem, orgulhosamente, o seu sobrenome.
O costume patriarcal e machista de dar aos filhos e filhas o sobrenome do pai e não o da mãe, e de a mulher assumir o sobrenome do marido, fazem com que os sobrenomes originais das mulheres, dentro de uma família, praticamente desapareçam em pouquíssimo tempo (geralmente na segunda geração). Se o costume fosse o inverso, as famílias seriam conhecidas apenas pelos sobrenomes das mulheres. Eu me chamaria Thomas Burke Roggemann, ou apenas Thomas Roggeman, e não Thomas Burke. Eu seria um membro da primeira família Roggemann no Brasil e não da primeira família Burke. Minha irmã Henrietta Burke Passos, seria chamada Henrietta Passos Roggemann. O nome Burke quase certamente já teria desaparecido completamente da nossa família. Do ponto de vista genético, na realidade, a "família Burke" deveria se chamar "família Burke-Roggemann".
A conclusão de tudo isso é que o "sagrado" nome de família é, sob o ponto de vista genético, uma grande bobagem. Ele não nos diz praticamente nada sobre o verdadeiro grau de parentesco biológico entre as pessoas de um dado grupo humano. Tudo isso precisa ser tomado na devida conta por todos aqueles que, independente de terem ou não "Burke" em seus nomes (no Brasil, ninguém tem Roggemann...), trazem uma mistura de cópias dos genes do primeiro casal Burke & Roggemann que veio ao Brasil no início da segunda década do século passado; genes esses que definem o seu verdadeiro grau de inserção na "nossa família".
Pensando nisso, coloquei na relação das pessoas citadas neste livreto a porcentagem da mistura de genes "Burke" e genes "Roggemann ¾ "Genes BR" ¾ de cada indivíduo. Para esse cálculo, considerei John U. Burke portador de 100% de genes "Burke", e Emma A. Roggemann tendo 100% de genes "Roggemann", o que faz com que cada um dos sete filhos do casal tenha 100% da mistura genética "BR" (50% de genes "B" e 50% de genes "R").

Fontes
Para a confecção do livreto e desta página, além das informações dadas e fotos fornecidas pelos Burke anteriormente citados, também foram consultadas as seguintes fontes:
http://familytreemaker.genealogy.com/users/w/a/e/James-J-Waechtler
indigo.ie/~wildgees/burkes.htm
http://www.roggemann-burke.com/
www.ancestrees.com/pedigree/2554.htm
www.ancestrees.com/pedigree/4583.htm
www.ancestrees.com/pedigree/surnames.htm
www.angelfire.com/my/tray/Page-3.htm
www.araltas.com/features/burke/
www.bbgreenway.org/clans/2burke.htm
www.bbgreenway.org/clans/2burke.htm
www.dcs.hull.ac.uk/cgi-bin/gedlkup/n=royal?royal08768
www.fortunecity.com/bally/galway/37/lackagh1.htm
www.geocities.com/jack_burke_2000/Burke/famous_burkes.htm
www.geocities.com/john_luddy_burke/bourke2.html
www.infoplease.com/ce6/people/A0809486.html
www.iol.ie/~irishrts
www.irelandstory.com
www.johndilbeck.com/genealogy/richardmordeburghthegreat.html
www.local.ie/content/27394.shtml
www.local.ie/content/27851.shtml
www.mathematical.com/burghwilliamdied1205.html
www.wesleyjohnston.com/users/ireland/past/history/norman_invasion.html
Irish Roots Magazine, Surnames of County Galway, in Issue 1, 1994.
Prefeitura Municipal de Cajamar
Perus- Pirapora Railway in the Brazilian Steam Album, by Charles Small – 1984
História da Perus Pirapora - Nilson Rodrigues (internet)

Este blogg foi criado por Edward Burke Jr., em Londrina PR - Brasil

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