30/10/08



ORIGENS
Sobre "Nomes de Famílias"
Thomas J. Burke




Por que as pessoas costumam dar tanta importância aos nomes de suas famílias, ou aos de outras pessoas? Por que gostam de dizer que fulano é "um Prado", "um Barbosa", "um Roggemann", e assim por diante? Por que as pessoas chegam até a pagar para que outras pessoas pesquisem e façam suas árvores genealógicas? Que importância tem o fato de você carregar o nome "Burke", ou estar a ele relacionado de alguma forma? Não perca muito tempo tentando responder a essas perguntas. Possivelmente, você acabaria meio confuso, sem saber bem o que dizer. Uma boa resposta exigiria todo um longo tratado bio-psico-social sobre "motivações profundas". Contentemo-nos, portanto em aceitar simplesmente o fato de que as pessoas, por vários motivos, têm um interesse ou curiosidade em relação aos "nomes de família" ¾ suas e, às vezes, de outras ¾ dando-lhes maior ou menor importância.
Mas há um outro aspecto importante nessa questão, e sobre o qual as pessoas não costumam parar para pensar: O que é um "nome de família"? Ou, melhor dizendo, o que é que o "nome de família" designa realmente? O que é que estou dizendo quando digo que eu sou um Burke, por exemplo? Quanto do "sangue dos Burke corre em minhas veias"? Quem faz e quem não faz parte de uma certa família? Somente aqueles que foram registrados com aquele determinado sobrenome? E aqueles (geralmente aquelas) que abdicaram do seu sobrenome original ao se casarem? Se eu sou "uma Burke de nascença" e me caso com um Onassis, e passo a assinar, Astrogilda Onassis, deixo de pertencer à família dos Burke, e entro para a família Onassis? E meus filhos? Marido e mulher não são parentes entre si, mas são parentes de seus filhos, netos, bisnetos etc, e, ainda mais, o nome que eles colocam neles depende do gosto e dos costumes. Há povos onde o costume é colocar nos filhos o sobrenome da família da mãe e não do pai (talvez o mais correto, já que a paternidade é bem mais duvidosa que a maternidade). E quando um casal adota uma criança com se fosse legítima, e coloca nela o sobrenome da família? E os filhos "naturais" (nunca vi um filho não natural...), resultantes de convívios maritais ou de aventuras extraconjugais? No meio dessa crescente confusão, onde, então, começa e termina uma dada família, identificada por um certo nome? Novamente, não tente responder, você vai ficar mais confuso ainda.
A única maneira de fugir dessa barafunda seria apelar para a genética, para o DNA, para os genes, e não para o "nome da família", ou para os "laços históricos de parentesco". O único modo verdadeiramente seguro de saber quem você realmente é, de onde você veio, quem são seus parentes, e quão próximos ou afastados está deles, seria através do "mapeamento de DNA". Mas, atualmente, dificilmente alguém se daria ao trabalho e arcaria com os custos de mandar fazer mapas do seu genoma e o de outras pessoas, supostamente parentes, para saber se e em que grau pertence a uma dada família. Talvez no futuro isso venha a ser uma coisa corriqueira, mas no momento temos que nos contentar com a tal "árvore genealógica" (a "family tree"), construída a partir de informações prestadas por pessoas e registros documentados. Mas a árvore genealógica pode também ser olhada não apenas quanto aos nomes dos indivíduos localizados em cada uma de suas ramificações, mas o quanto cada um deles, presumidamente, é portador dos genes dos "fundadores" da família, ou seja, quanto de DNA da família "corre em suas veias".
Os genes, minúsculos "pacotes" de DNA, contidos em todas as células de um indivíduo ¾ responsáveis pela formação e funcionamento do organismo, inclusive, em grande parte, pelo seu comportamento e até sentimentos ¾, vieram, metade do seu pai (através do espermatozóide) e metade de sua mãe (através do óvulo). Se você for um homem, seu filho terá metade da sua mistura genética e metade da mistura de genes da mãe dele, e assim por diante, através das sucessivas gerações. É fácil perceber que, se passarmos a construir a árvore a partir de você, seu filho terá 50% dos seus genes e 50% dos genes da mãe dele, portanto, para ele, o nome da família tanto poderia ser o do pai como a da mãe. Seu neto terá 25% dos seus genes, 25% dos genes da sua avó e 50% dos genes da mãe dele, portanto, seu sobrenome, para ser mais justo, deveria ser o da mãe dele e não o seu. Seu bisneto terá apenas 12,5% dos seus genes, seu trineto 6,25%, seu tataraneto apenas 3,12% dos seus genes, e assim por diante. Em poucas gerações, só restarão, nos seus descendentes, traços dos seus genes e de sua esposa, misturados com um montão de genes de outras famílias, não importa se eles ainda carreguem, orgulhosamente, o seu sobrenome.
O costume patriarcal e machista de dar aos filhos e filhas o sobrenome do pai e não o da mãe, e de a mulher assumir o sobrenome do marido, fazem com que os sobrenomes originais das mulheres, dentro de uma família, praticamente desapareçam em pouquíssimo tempo (geralmente na segunda geração). Se o costume fosse o inverso, as famílias seriam conhecidas apenas pelos sobrenomes das mulheres. Eu me chamaria Thomas Burke Roggemann, ou apenas Thomas Roggeman, e não Thomas Burke. Eu seria um membro da primeira família Roggemann no Brasil e não da primeira família Burke. Minha irmã Henrietta Burke Passos, seria chamada Henrietta Passos Roggemann. O nome Burke quase certamente já teria desaparecido completamente da nossa família. Do ponto de vista genético, na realidade, a "família Burke" deveria se chamar "família Burke-Roggemann".
A conclusão de tudo isso é que o "sagrado" nome de família é, sob o ponto de vista genético, uma grande bobagem. Ele não nos diz praticamente nada sobre o verdadeiro grau de parentesco biológico entre as pessoas de um dado grupo humano. Tudo isso precisa ser tomado na devida conta por todos aqueles que, independente de terem ou não "Burke" em seus nomes (no Brasil, ninguém tem Roggemann...), trazem uma mistura de cópias dos genes do primeiro casal Burke & Roggemann que veio ao Brasil no início da segunda década do século passado; genes esses que definem o seu verdadeiro grau de inserção na "nossa família".
Pensando nisso, coloquei na relação das pessoas citadas neste livreto a porcentagem da mistura de genes "Burke" e genes "Roggemann ¾ "Genes BR" ¾ de cada indivíduo. Para esse cálculo, considerei John U. Burke portador de 100% de genes "Burke", e Emma A. Roggemann tendo 100% de genes "Roggemann", o que faz com que cada um dos sete filhos do casal tenha 100% da mistura genética "BR" (50% de genes "B" e 50% de genes "R").

HISTÓRIA ANTIGA DA IRLANDA E DOS PRIMEIROS BURKE

Notas sobre nomes irlandeses e títulos de nobreza
- O nome francês (normando) de Burgo foi sendo transformado, ao longo do tempo, para de Burca, de Burgh, Bourgh, Bourke e Burke.
- O nome francês (normando) Guillaume se tornou William na Inglaterra, e se tornou Ulick e Ulic, na Irlanda.
- Mac é uma palavra gaélica* para "filho", e às vezes é escrita Mc. Apesar de ser costume dizer que Mac é irlandês e Mc é escocês, ambos são encontrados nas duas tradições nacionais gaélicas.
- O é por si só uma palavra, significando "neto". O apóstrofo, que agora geralmente aparece depois dele (como em O’Connor, por exemplo) é simplesmente o resultado de um engano dos clérigos de língua inglesa nos tempos elizabetanos, que o consideraram como sendo uma forma da palavra "de".
- Fitz é outro prefixo tipicamente irlandês e deriva da palavra francesa "fils", que significa filho.
- Earl - Título acima de visconde e abaixo de marquês, freqüentemente traduzido por conde.
- Earldom - Território de um earl. Corresponde a um county (condado).
- Lord (Lorde) – Título da alta nobreza inglesa. Normalmente o título era associado a uma região de
domínio – Lorde (Senhor) de Connacht, por exemplo.
- Chief (chieftain) – Chefe ou cabeça de um ramo familiar.
Todos os Burke Irlandeses afirmam serem descendentes dos de Burgo (de Burca, de Burgh, Bourgh, Bourke, Burke). O sobrenome se espalhou rapidamente. É o mais numeroso dos sobrenomes ibero-normandos. Estima-se que existam hoje cerca de 20.000 pessoas com o nome Burke na Irlanda. Com sua variante Bourke, se torna o décimo quarto na lista dos nomes mais comuns, e um dos sobrenomes mais numerosos dentre os de Galway. Considerando-se o grande número de Burke e Bourke agora vivos no mundo, o número vinte mil precisa ser multiplicado várias vezes para incluir os emigrantes de origem irlandesa para a América e outras localidades. É bem possível que todos provenham do mesmo antepassado. O nome quase não é encontrado na Inglaterra, exceto nas famílias de passado irlandês. Os Burke se tornaram mais completamente galicisados que qualquer outra família normanda. Eles adotaram a Lei Brehon e se proclamaram "chefes", "cabeças", seguindo a moda irlandesa, formando, assim, vários ramos.
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* A língua nativa da Irlanda é o gaélico, de origem celta. Ela é uma das duas línguas oficiais de Irlanda (a outra é o inglês), e é também falada na Escócia.
A História Documentada (ver fontes em Esclarecimentos Iniciais)
Sabe-se que a ilha da Irlanda (Eire) foi habitada por caçadores e pescadores desde 6000 a.C. Quando os celtas (povo de origem indo-européia) passaram a ocupá-la, por volta 2000 a.C., o território já era dominado por mais de cem pequenos reinos, destacando-se os de Ulster e de Connaught. Em 795 d.C., os noruegueses (os vikings) invadiram a região e a dominaram durante 200 anos, dando-lhe o nome de Eire. Quando a Inglaterra foi invadida e dominada pelos normandos vindos da Europa continental, em 1066, a Irlanda não era uma nação, mas sim um grande território insular, ainda dividido e em mais de uma centena de pequenos reinos independentes, lutando entre si.
Em 1175 o Eire passou para o domínio da Bretanha (nome da Inglaterra, que estava sob o domínio dos celtas e dos bretões do noroeste da Europa). A população da região sempre foi predominantemente católica, até que em 1547 foi introduzido oficialmente o protestantismo, com o que se revoltou a maioria católica, que conseguiu restaurar o catolicismo como religião oficial em 1553. Mas novas lutas entre católicos e protestantes voltaram a acontecer entre 1559 e 1652, especialmente nos condados do norte, onde se concentrava a população protestante. Em 1801, o Eire passou a fazer parte do reino da Grã-Bretanha e Irlanda.
Em 1921 a Irlanda tornou-se oficialmente estado livre, mas sob domínio do soberano inglês. A independência somente ocorreu de fato em 1937, quando o nome Eire se tornou oficial, mas os seis condados da Irlanda do Norte, predominantemente protestante, permaneceriam sob o domínio inglês, até o dia em que eles decidissem que queriam fazer parte do Eire. Em 1985 foi assinado um acordo pelo qual a Irlanda do Norte ficava unida à Grã-Bretanha, mas protestantes e católicos nunca conseguiram chegar a um acordo sobre essa questão e continuam até hoje a brigar entre si e com os ingleses, inclusive com exércitos clandestinos de libertação praticando atos de terrorismo. A história da Irlanda sempre foi muito ligada à da Inglaterra, e ainda continua assim, especialmente a da Irlanda do Norte.
Os de Burgo chegaram da França à Inglaterra juntos com Guillaume (Quilherme, William) o Conquistador durante a bem sucedida invasão normanda da Inglaterra em 1066. A linhagem foi traçada para trás diretamente ao Conde Burgo, na França; a Charlesmagne (Carlos Magno); Pepino o Baixinho; Charles Martel (o Machado); Clóvis o Grande, e até quase 100 a.C., com Cassander de Sincambri (cujo filho Antharius resistiu a invasões por Júlio Cesar durante as Guerras Gaélicas) ¾ e ainda mais longe, 400 a.C., com Marcomir I – Rei de Sicambri.
Sobre o nome do primeiro de Burgo a ir para a Irlanda há uma certa discordância entre os estudiosos da história irlandesa. Uns dizem que ele se chamava William Fitz Adelm de Burgo, outros dizem que ele se chamava apenas William de Burgh, Lorde de Connacht. Os que defendem este nome, dizem que William Fitz Adelm foi seu avô, mas dos registros consta que ele morreu em 1197, portanto ele não poderia ter sido o avô de William de Burgh, que nasceu em 1157 e morreu em 1205. De qualquer forma, o que se sabe ao certo é que em maio de 1170 ele recebeu de Henry II da Inglaterra uma grande extensão de terras em Connacht, na Irlanda, na região mais ao oeste, onde hoje ficam os condados de Galway, Mayo e Sligo, Roscommon e Leitrim (ver mapa). Sabe-se, também, que os principais fatos da história dos de Burgh seguem a seqüência abaixo:
1166 – Dairmait MacMurchada, o Rei de Leinster é expulso da Irlanda depois de ser derrotado pelo Rei Rory O’Connor, de Connacht e Dubliner. Ele vai ao Rei Henry da Inglaterra pedindo ajuda para recuperar seu reino. Henry acabara de se tornar rei e não desejava iniciar uma guerra dispendiosa. No entanto, ele tinha recebido pouco antes permissão do Papa para declarar a Irlanda como parte do seu reino, a fim de ordenar a reforma da Igreja. Assim, como um compromisso, ele autorizou MacMurchada a recrutar pessoalmente todos que ele pudesse dentre os ingleses.
Maio de 1169 – Vários "earls" (condes) menores (recrutados por MacMurchada) fazem a primeira invasão anglo-normanda da Irlanda, e Leinster é retomada.
Agosto de 1170 - O Earl de Pembroke, Richard FitzGilbert de Clare [mais conhecido por Strongbow (Arcoforte)], lidera nova invasão. Dublin é conquistada e seu rei viking exilado.
Maio de 1171 – Mac Murchada morre e Strongbow é coroado Rei Richard de Leinster, Irlanda.
Outubro de 1171 – O Rei Henry II (acompanhado de William de Burgh, Hugh de Lancy e Humphrey de Bohun) chega à Irlanda para acabar com o desafio de Strongbow a sua autoridade. Strongbow pede desculpas, e lhe é permitido permanecer Lorde de Leinster. Todos os outros reis da Irlanda, exceto dois (O’Connor de Connacht e O’Neil no norte), se submetem ao Rei Henry. A província de Meath, que já havia sido invadida pelos homens de Strongbow, foi dada a Hugh de Lancy como uma "liberty" (um feudo de lorde semi-autônomo). Henry deixa a Irlanda na segunda feira de páscoa, 17 de abril de 1172, e chega no mesmo dia a Walles. De Lancy e Strongbow instalam um sistema feudal na Irlanda.
1174 - Strongbow, sitiado pelos irlandeses, é defendido e resgatado.
1175 - O Reig Henry II envia Nicholas, abade de Malmesbury, e William de Burgh à Irlanda, com a bula do Papa Adriano IV e a ordem do Papa Alexandre III, conferindo ao Rei Henrique II o reino da Irlanda. O Tratado de Windsor é assinado.
1176 - Strongbow morre e a "liberty" de Leinster retorna às mãos do Rei Henry, que outorga todos os seus direitos como Lorde da Irlanda ao seu filho mais novo, Príncipe John. O Príncipe John foi o Lorde da Irlanda até se tornar Rei da Inglaterra em 1199, mas durante esse tempo mostrou pouco respeito pelos restantes reis irlandeses. Seus cortesãos se tornaram famosos, por puxar as barbas dos reis que vinham visitá-lo.
1185 – O reino dos O’Brien, em Munster ocidental, foi outorgado por Henrique II a Theobald Walter, Philipe de Worcester, e William de Burgh. Segundo a maioria dos registros, William de Burgh também recebeu logo a grande região não conquistada de Connacht – também chamada de Connaught. Esse foi um daqueles acordos pelos quais Henry era famoso. Connacht ainda estava sob o controle do Rei O’Connor. A única coisa que William tinha que fazer seria conquistar os irlandeses gaélicos que a tinham mantido em seu poder durante milhares de anos!
Não foi muito depois de sua chegada que William assumiu o posto de Governador de Limerick, e sucedeu Strongbow como Governador Chefe, e lhe foi dado os "manors" (feudos) de Ardpatrick e Kilsheelan.
1189 - Henry II morre; Richard ascende ao trono. Richard gasta a maior parte do seu reinado lutando nas Cruzadas
1199 – Richard morre; seu irmão John (Lackland – da infâmia de Robin Hood) ascende ao trono. A Irlanda, com a aprovação papal, se torna um reino. Todas as leis inglesas foram estendidas à Irlanda em 1210.
1200 – Outorgado a William de Burgh o castelo de Tibranghty, no condado de Kilkenny. William consolidou sua posição social casando com uma filha de Donal Mor O’Brien, Rei de Thomond (hoje uma área ao redor do aeroporto de Shannon). Isso aumentou grandemente seu poder na região, e em 1200 ele pôs sua mira em Connaught.
Depois de muitas batalhas e campanhas, às vezes do lado dos O’Connor ¾ reis de Connaught ¾ e às vezes contra eles, William de Burgh finalmente juntou forças com Cathal Caragh Dearg, e numa escaramuça perto de Boyle, Condado de Roscommon, seu principal rival pela província, Cathal Caragh, foi morto.
Depois desta escaramuça, William de Burgh e Cathal Deargh foram ao Monastério em Cong, onde passaram a páscoa. Durante sua estada em Cong, William alocou seus soldados em vários clãs da província, mas um boato falso se espalhou dizendo que William estava morto. Com essa notícia, todos os 900 soldados de William foram passados pelo fio da espada, pelos seus hospedeiros. William de Burgh retornou a Limerick para formar um novo exército, e no ano seguinte ele marchou para dentro de Connaught, com o único propósito de vingar seus soldados assassinados. Às margens do Shannon, em Meelick, ele construiu um castelo e dali passou a devastar a província, saqueando os mosteiros de Clonfert, Knockmoy, Mayo, Clonmacnoise e Cong; queimando, matando e pilhando à medida que avançava.
Seu antigo aliado, Cathal Grog Dearg, queixou-se amargamente ao Rei John, e William foi chamado de volta à Inglaterra, onde rendeu seu castelo ao Rei. A reclamação foi levada a sério pelo Rei, e uma comissão foi constituída para investigar ¾ mas o assunto foi abandonado, provavelmente devido à influência de Hubert, irmão de William de Burgh.
William acabou recebendo de volta todos os seus castelos e terras, exceto Connaught, que permaneceu território do rei. William retornou à Irlanda em 1204, onde morreu no inverno de 1205/6, "de uma doença demasiado horrível para ser anotada". Ele foi enterrado na Abadia de Athassel – que ele havia fundado cinco anos antes.
Após a morte de William, seu filho Richard de Burgh (1193-1243) construiu um castelo em Galway, como parte de sua campanha para tomar posse das terras que haviam sido dadas ao seu pai.
1227 – Richard de Burgh se tornou lorde, seu patrimônio foi confirmado, e ele liderou a conquista de Connacht a partir de sua nova cidade de Galway. Talvez surpreendido pelo quanto os irlandeses tinham desenvolvido sua tecnologia militar desde o tempo de Strongbow, a guerra pela reconquista foi difícil de ser vencida. Embora Richard de Burgh saísse com a maior parte de Connacht em seu poder, não foi uma vitória fácil. A conquista de Connacht permaneceu como uma façanha famosa durante vários séculos. Quase todos os nomes famosos da Irlanda feudal seguiram Richard de Burgh naquele exército, terminando o poder dos O’Connor e iniciando a disseminação de uma das maiores famílias irlandesa (a dos de Burgh, Bourke, Burke).
Durante um certo período, seus descendentes estavam entre os lordes mais poderosos da colônia, sendo os maiores magnatas de Connacht e Ulster, enquanto também detinham extensas terras em Munster.
Richard de Burgh também tinha o título de Vice-Rei da Irlanda e Lorde de Connacht e Trim, no condado de Mesth.
Apesar dos seus assaltos ocasionais aos O’Connor (reis de Connacht), Richard casou com uma filha de um O’Connor. Dizem que ele fundou a cidade de Galway. Certamente, ele construiu para si uma bela casa lá, entre Lough Corrib e o Oceano Atlântico.
1264 – O filho mais velho de Richard de Burgh, Walter (falecido em 1272), adquiriu o título de nobreza de Primeiro Earl de Ulster através do seu casamento com uma filha de Hugh de Lancy. Ele fortificou seu território de Ulster com muitos castelos, que até hoje avivam a paisagem das costas dos condados de Donegal, Down e Antrim. Foi ele quem construiu o espantoso castelo Dunluce, perto de Portrush, no condado de Atrim, que foi usado nos séculos sucessivos pelos MacQuillan e MacDonnell. De Walter de Burgh descendem os Burke de Limerick e Tipperary.
1270 – Os O'Connor derrotam os normandos de Connaught.
1271/72 – Walter de Burgh morre. Seu filho Richard tem apenas doze anos de idade. Em 1280, Richard, ainda menor de idade, herda suas terras e seus castelos. O novo Earl de Ulster se torna popularmente conhecido como o Red Earl (o Duque Vermelho)
1332 – Na falta de um herdeiro masculino, o Título Earl de Ulster passou dos Burgh para a família real da Inglaterra quando Elizabeth de Burgo, Condessa de Ulster (falecida em 1363), filha única, casou com Lionel, Earl de Clarence, o terceiro filho do rei yorkista da Inglaterra, Edward II. Lionel se tornou Earl de Ulster, um título ainda usado pela família real. Os Burke (parece que o nome Burke começou a ser usado mais ou menos nessa época) cuidaram para que nenhum Duque de Clearence, Earl de Ulster ou não, se apoderasse do seu território de Connacht. O título de nobreza de Connacht é dividido entre Alto Connacht e Baixo Connacht.
Os Burke tinham antes se apoderado do território dos nativos O’Flaherty, expulsando-os da cidade de Galway. Eles até cederam, sob arrendamento, alguma terras aos O’Flaherty, mas quando o dia do pagamento pelo arrendamento parecia estar chegando, um Burke foi mandado para receber a quantia devida no quartel-general dos O’Flaherty, no magnífico castelo Aughanure, em Oughterard. Eles estavam se deliciando com um banquete, e Burke foi convidado para se juntar a eles. Durante o festim ele fez referência ao arrendamento. Imediatamente, um O’Flaherty pressionou uma pedra de piso escondida, o que arremessou Burke para dentro do rio. Eles cortaram fora sua cabeça e a mandaram de volta para a fortaleza dos Burke, descrevendo-a como "Arrendamento dos O’Flaherty".
Mais tarde, as terras de Connaught passaram a ser controladas pelos dois ramos principais dos de Burghs, com seus vários ramos menores:

1. Os MacWilliam Uachtar Burke – O ramo da família no condado de Galway, que eram os cabeça de família descendentes de Richard Og Burke, Lorde de Alto Connacht, que morreu em 1387. Em 1543, o título Earl de ClanRicard foi dado a Ulick (William) de Burgh, cabeça do ramo da família de Galway.
Ulick tinha se submetido à política do "Render-se e Re-atribuir" de Henrique VIII. Henrique tinha garantido aos cabeças irlandeses e normandos, que rendessem suas terras e propriedades à Coroa e se submetessem à sua autoridade, a re-outorga de suas propriedades e um título correspondente ao seu status, a fim de legalizar o direito às suas propriedades. Ulick foi um dos primeiros normandos a aceitar a oferta e ele recebeu o título de Earl de ClanRicarde e seis baronatos de terra no condado de Galway.
Daí para frente, os Earls de ClanRicarde permaneceram leais à Coroa. Mais tarde, mudaram do catolicismo para o protestantismo, a fim de evitar que suas terras fossem confiscadas pelos seguidores de William de Orange. Eles reinaram em Portumna, Condado de Galway, durante os séculos 16 e 17, e se tornaram uma das famílias mais poderosas e influentes da Irlanda.

2. Os MacWilliam Iochtar Burke, de Mayo

3. Os Clans William Burke, no sul de Tipperary. Este ramo perdeu muito de suas terras durante um revigoramento dos O’Brien no século 15, enquanto que os de Galway e Mayo permaneceram poderosos até o século 17.
Ramos menores (sub-clãs) adotaram nomes como MacDavie, MacGibbon, MacHugo, MacRedmond e MacSeóinín. Destes, o nome MacSeóinín apresenta-se, nos condados de Mayo e Galway, como os Jenning; e os MacGibbon, como os Gibbon.
Ramos ClanRicarde Burke se fixavam em vários lugares de Galway. Eles ocupavam muitas das casas-torres medievais, mas mais tarde construíram residências, como as St. Clearans, perto de Craughwell e do castelo em Glinsk. Elas iriam desempenhar um papel muito importante nas guerras do século 17, das quais os ClanRicarde emergiram derrotados, mas ainda com propriedades muito importantes.
Embora os Burke tenham fundado a cidade de Galway, seus seguidores (mais tarde chamados de as Tribos) logo tentaram se livrar de sua submissão. De fato, a Carta de 1484, dirigida a Galway por Richard III, da Inglaterra, destinava-se a quebrar a soberania dos Burke – não sendo mais permitido daí em diante que entrassem na cidade sem a licença do Prefeito.
Até 1518, quando a Cidade das Tribos ainda era hostil para com seus vizinhos Gaélicos, uma ordem foi dada dizendo que "nenhum ‘O’ ou ‘Mac’ poderá andar altivo ou com jactância pelas ruas de Galway". Uma instrução mais específica foi promulgada proibindo os cidadãos de admitir a entrada em suas casas de "Burkes, MacWilliams, Kelly ou qualquer outro clã". Connaught foi dividido em distritos, em 1576.
A partir do século 17, Connaught e o condado vizinho de Clare passaram a ser as únicas partes da Irlanda onde era permitido a católicos romanos possuírem a maior parte das terras agrícolas. O resultado foi que a maior parte da província de Connaught permaneceu leal à Coroa Inglesa durante o Levante Tyrone (1595-1603), e permaneceu a parte mais gaélica e normanda da Irlanda.
Nos registros históricos sobre os regentes de Connaught (Conach), entre 482 e 1461 aparecem 63 reis, todos com nomes tipicamente irlandeses (a maioria O’Bian e O’Connor), e entre 1200 e 1600 estão os nomes de 34 de Burgh, com o título de Lordes de Conacht.
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A GRANDE FOME

Entre os anos de 1845 e 1849, toda a região da Grã-Bretanha e Irlanda foi assolada pela "grande fome" e uma epidemia de tifo, fazendo com que enormes levas de irlandeses emigrassem para os EUA. Mas as emigrações continuaram bastante intensas ainda por mais alguns anos. Foi nessa ocasião que chegaram aos Estados Unidos os primeiros Burke e muitos outros descendentes dos de Burgo, já com outros nomes de família.
A fome generalizada foi causada pela perda quase total da produção de batata, o principal alimento da população, devido ao aparecimento de uma nova e devastadora doença vegetal ("blight", "requeima"), causada pelo fungo Phitoftera infestans, que dizimou as plantações. Por volta de 1846, os estoques de batata tinham se acabado, e muitas pessoas começaram lentamente a passar fome. O governo Britânico interveio e importou da América milho, no valor de 100.000 libras, para alimentar os famintos, e isso ajudou a evitar uma massiva mortalidade durante o primeiro ano da calamidade. A colheita de 1846, no entanto, também falhou e desta vez varreu quase completamente toda a batata da Irlanda. Milhares de pessoas simplesmente morreram de fome, especialmente nas áreas rurais. Muitos também morreram de tifo, escorbuto e disenteria.
Os britânicos montaram "cozinhas de sopa" e "casas de trabalho" para os pobres, mas eles subestimaram drasticamente a escala do desastre, e muita gente não recebeu qualquer ajuda. O problema se agravou por causa dos senhores de terra, que expulsaram os campesinos que não podiam pagar o arrendamento porque não tinham batatas para vender. Felizmente a colheita de 1847 foi boa, e, embora a colheita de 1848 também falhasse, a fome nunca foi tão terrível quanto a de 1846.
Muitos milhares de irlandeses decidiram por um fim às suas perdas e partiram em navios de emigração para a América. Essa foi a origem de aproximadamente metade do que hoje é chamada de "América Irlandesa". Centenas de irlandeses morreram nos navios sobrecarregados, que passaram a ser chamados de "navios caixão". Por volta de 1851, a população tinha diminuído 25%, para seis milhões, e a emigração continuou até perto de 1900, quando somente restavam quatro e meio milhões de habitantes na Irlanda. Isso deixou grandes pedaços de terras abandonadas, e ainda hoje grandes áreas de terras agrícolas degradadas podem ser vistas em Mayo e Galway.
Muitos irlandeses achavam que os britânicos poderiam ter feito mais para ajudá-los, e isso causou o surgimento de muito sentimento anti-britânico, especialmente na Irlanda e entre os irlandeses que tinham ido para a América. Embora haja pouca dúvida de que os britânicos poderiam ter feito mais para impedir as mortes em massa na Irlanda, um pouco de culpa também precisa ser atribuída à demasiada dependência dos irlandeses rurais numa única cultura alimentícia, e na falta de rotas de comunicação com a Inglaterra, fazendo com que muitos na Inglaterra permanecessem realmente sem saber o que estava acontecendo na Irlanda rural. A maioria dos visitantes da Irlanda permanecia nas cidades, que na maior parte não foram afetadas pela fome.

ALGUNS BURKE NOTÁVEIS (MAIS RECENTES)

Os mais notáveis Burke de Galway foram Robert O’Hara Burke de St. Clearans, o famoso exploraddor da Austrália que morreu em1861, e o famoso pregador e escritor dominicano, Padre Thomas N. Burke, que morreu em 1883, e cuja estátua fica perto da entrada de Claddagh.
Bernard Burke (1814-1892) e seu pai John Burke (1787-1848), nascido em Tipperary, eram genealogistas e editores de uma seqüência de pesados volumes contendo o pedigree das aristocracias britânicas e irlandesas, inclusive do "Burke’s Peerage" (Nobiliarquia do Burke), que se tornou conhecido como "the stud book of humanity" (o livro de genealogia da humanidade). Bernard Burke foi o Rei de Armas de Ulster, do Escritório de Genealogia, no Castelo Dublin, precursor do atual Chefe de Heráldica. Sobre o seu próprio sobrenome, Sir Bernard escreveu: "A família dos de Burgh, de Burgo ou Burke (conforme escrito em diferentes tempos), Earls e Marqueses dos ClanRicarde, situam-se entre os mais destacados no Reino, e descende de uma linha ininterrupta de nobres poderosos desde a Conquista. John, Earl de Comyn, e Barão de Tonsburgh, na Normandia (cuja descendência vem de Carlos Magno), sendo general das forças do Rei, e governador de suas cidades cabeça, assumiu daí o sobrenome de Burgh. A família dos de Burgh, ou Burke, tem, desde os reinados de Henrique III e Edward I, sido estimado como um dos mais opulentos e poderosos dos colonizadores anglo-normandos da Irlanda sob Strongbow. Ela reteve, por conquista e outorga real, territórios inteiros nos condados de Galway, Mayo, Roscommon, Tipperary e Limerick, e tão extensas eram suas posses, que até seus cadetes se tornaram pessoas abastadas, e foram fundadores de destacadas casas". Este extrato do Burke’s Peerage 1876 monta a sena para uma família normanda que se tornaria altamente influente na Irlanda.
Richard Burke, conhecido como "Richard an Iarainn" (Richard de ferro), possivelmente por causa das minas de ferro nas suas terras em Burrishoole, foi o segundo marido de Grania O’Malley, a rainha pirata, uma das destacadas mulheres do período elizabetano. Seu filho, "Theobaldo dos navios", nasceu a bordo, pouco antes de sua mãe resistir com êxito ao ataque de marujos piratas turcos. Theobaldo foi feito refém pelos ingleses e levado a aceitar o ponto de vista inglês. Como sua mãe, ele sabia jogar dos dois lados, e quando não conseguiu se eleger para liderança dos Burke de Mayo, retornou para a Inglaterra. Ele lutou do lado inglês em 1601 na batalha decisiva de Kinsale. Ele foi sagrado Primeiro Visconde de Mayo em 1627 por Charles I – um título que durou somente até 1767. Os de Burgo de há muito haviam feito brotar novos ramos familiares. Como os irlandeses, eles nomeavam cabeças para seus territórios separados. Os mais proeminentes Burke da família do Condado de Galway eram os cabeças dos ClanRicarde. No século 17, a fim de evitar que suas terras fossem confiscadas pelos seguidores de William de Orange, eles mudaram do catolicismo para o protestantismo, da mesma forma que fizeram muitos das famílias vizinhas. Os ClanRicarde construíram um belo castelo em Portumna, que foi herdado mais tarde pelo Visconde Lascelles, o marido da Princesa Mary, única filha de George V. O castelo lhe veio através de um tio-avô, o último Marques de ClanRicarde (morto em 1916), um excêntrico que vivia em quartos miseráveis em Londres. Em Mayo, as famílias de Burgh mais importante foram os Viscondes de Mayo e os Lordes de Mayo (e Barões Naas). Em sucessivas gerações eles têm sido políticos, bispos, padres e estadistas, em casa e no exterior. Dos muitos Burke que serviram a potências continentais após a derrota de James II, nenhum se destacou mais que Toby Bourke (1674-1734), cuja conexão era com a Espanha.
Raymond Bourke (1773-1847), um nobre da França descendente dos Burke de Mayo, acompanhou Wolfe Tone à Irlanda na expedição de 1798, e mais tarde se tornou um famoso comandante napoleônico. Vários outros Bourke ou Burke também se destacaram no exército da França.
Um dos maiores estadistas do seu tempo, Edmund Burke (1729-1797), nasceu em Dublin. Um escritor político e poderoso orador, quando foi um membro do Parlamento da Inglaterra no tempo da Revolução Francesa, exortou a diplomacia em vez do derramamento de sangue. Também não teve medo de dizer que a estupidez britânica tinha perdido a América e perderia a Irlanda. Embora ele estivesse longe de ser abastado, quando foi Conselheiro Privado reduziu seu próprio salário em três quartos! Seu livro, Reflexões Sobre a Revolução na França, foi considerado enormemente importante por toda a Europa. Em um de seus discursos, ele disse: "a era do cavalheirismo se foi. A dos sofistas, economistas e calculadores a sucedeu". Seu único filho, Richard Burke (1705-1776), foi agente do Comitê Católico.
Dr. Thomas Burke (1705-1776), foi bispo dominicano de Ossory e autor de Hibernica Dominicana.
Walter Hussey Burgh, estadista e orador, nascido em Kildare em 1742. Estudou direito no Trinity College, Dublin. Foi dito a seu respeito: "Nenhum orador moderno chega perto dele em poder de despertar paixões".
Contemporâneo de Walter foi William Burgh de Kilkenny. Ele ingressou na política na Inglaterra, onde advogou bravamente a abolição do comércio de escravos, e se opôs vigorosamente a União, que ele via iria atar ainda mais firmemente o governo irlandês à Inglaterra. Ele viveu em York, Inglaterra, durante muitos anos e deixou sua biblioteca para o Mosteiro de Minster.
William Burke (1792-1829), de Cork, foi enforcado como um famoso criminoso. Com o seu compatriota, Hare, ele atraia estrangeiros para sua pensão em Edinburgo, embriagava-os, sufocava-os e vendia seus cadáveres para dissecação em escolas de medicina. Seu horrível trabalho deu à língua inglesa uma nova palavra – "to burke", significando sufocar.
Robert O Hara Burke (1820-1861) de St. Clearan’s, Craughwell, Condado de Galway, pertencia aos ClanRicarde Burke. Serviu no exército australiano como capitão e mais tarde entrou para a polícia como inspetor. Ele e seu companheiro, W. J. Wills, foram os primeiros homens brancos a cruzar a Austrália do sul ao norte. Sua expedição foi muito mal planejada, e na viagem de volta, em 1861, ambos morreram de fome, depois de terem percorrido 3.700 km a pé e em camelo. Um filme da sua trágica aventura - Burke and Wills - foi produzido na Austrália em 1986.
Richard Southwell Bourke (1822-1872), Sexto Earl de Mayo e também Lord Naas, foi Secretário Chefe para a Irlanda durante o levante Fenian. Em 1869, com apenas 46 anos de idade, Disraeli o nomeou Vice-Rei da Índia. Ele foi considerado como sendo "um dos mais competentes administradores que jamais governaram a Índia". Durante uma visita a um assentamento penal nas Ilhas Andaman, ele foi assassinado.
Canon Ulick Bourke (1829-1887) era do Condado de Mayo. Ele foi um dos primeiros e mais influentes revitalistas da língua irlandesa.
Thomas Henry Burke (1829-1882), de Galway, Sub-Secretário no Castelo Dublin. Passeava no Phoenix Park com o recém chegado Secretário Chefe para a Irlanda, Lord Frederck Cavendish, no domingo 6 de maio de 1882, quando foram esfaqueados até a morte por terroristas que se proclamavam "Os Invencíveis".
Um grande número de Burke, muitos deles advogados, foram para a Ámerica. Aedanus Burke (1742-1802), de Galway, foi para a Virgínia, onde foi nomeado juiz. Ele foi o primeiro senador a representar a Carolina do Sul no Congresso. Um homem com sentimentos conflitantes, acreditava no escravismo e na democracia. Durante a Revolução Francesa, redigiu folhetos, amplamente distribuídos, advogando a abolição de todos os títulos de nobreza. Ele foi bondosamente descrito no Dictionary of American Biography como "um homem irascível coberto de agudeza irlandesa".
Thomas Burke (1747-1783), um aristocrata de Galway, prosperou na advocacia e política na Carolina do Norte, onde ele chamou sua propriedade Tyaquin, em lembrança do posto de sua família em Galway. Ele organizou o exército dos EUA na sua luta pela independência tão completamente que os britânicos o seqüestraram, mas ele escapou. O nome do Condado de Burke, na Carolina do Sul, foi dado em sua homenagem.
John Daly Burke (1775-1808) acrescentou Daly ao seu nome em gratidão a Miss Daly, que o ajudou na Irlanda, como refugiado político, a fugir para a América em 1796. Em Boston ele lutou sem sucesso com a publicação de um jornal. O sucesso somente veio quando ele encontrou uma fórmula dramática, que se adequava ao nacionalismo do seu tempo, escrevendo uma peça de teatro com uma cena da famosa batalha de Bunker Hill, da guerra da secessão americana. A peça foi apresentada durante muito tempo em Boston e Nova York. Ele foi morto num duelo por um francês com quem tinha se desentendido.
John Gregory Bourke (1826-1896), da Philadelphia, foi super intensivamente educado por seus pais, que haviam imigrado de Galway. Ele fugiu e se juntou à Décima Quinta Cavalaria de Pennsylvania, fazendo carreira no exército. Estudou os costumes das tribos indígenas e se tornou reconhecido como um ethologista científico competente.
Stevenson Burke (1826-1904), Filho de imigrantes irlando-escoceses de Ulster, foi um advogado que prosperou no "boom" do século 19. Possuía minas e estradas de ferro, e advogou em muitas causas legais em Cleveland. Foi o fundador da Escola de Artes de Cleveland.
Thomas Nicholas Burke (1830-1883), um pregador dominicano, que pregou através dos Estados Unidos, na metade do século 19. Embora seus objetivos fossem principalmente de política irlandesa, ele conseguiu doar 100.000 libras para instituições de caridade na América.
Thomas Burke (1849-1925), nascido em NY, filho de pais irlandeses, foi um advogado autodidata. Ele advogou em Washington D.C. durante cinqüenta anos, onde se disse que "sua carreira era sinônima da história de Washington". Ele ampliou o comércio com a China e Japão e organizou as ferrovias para o Pacífico, e assim se tornou um cidadão líder em Seattle, Estado de Washington.
Muitos Bourke foram para a Austrália, inclusive Sir Richard Bourke (1777-1855), um parente do grande Edmund Burke, com quem viveu enquanto estudante em Londres. Depois de uma carreira militar, ele se aposentou, indo viver em Thornfield, a propriedade de sua família perto de Limerick. Mas ele foi tentado pela oferta do Colonial Office de um posto político-militar na Colônia do Cabo, África do Sul. Lá ele demonstrou uma atitude iluminada (mais aberta) em relação aos Kafir. Em 1828 foi nomeado Governador de Nova Gales do Sul. Foi um período de grande crescimento econômico e exaustivas controvérsias. Embora lhe tivessem sido oferecidos diversos outros altos postos coloniais, ele se demitiu em 1838.
John Burke (1842-1919) e John Edward Burke (1871-1947) eram de uma família Kinsale, que viajou no navio de emigrantes "Erin go Bragh" para Queensland, na Austrália. Ele e muitos dos seus filhos Burke tiveram grande destaque como comandantes e proprietários de navios na Austrália.
Martha Jane Burke (1852-1903), conhecida no Wild West Show (show do oeste bravio) como Calamity Jane (Jane Calamidade), uma mulher americana da fronteira destra em montaria e armas.
Talvez a força da poderosa bem documentada presença na Irlanda dos Burke seja melhor demonstrada pelas marcas físicas que eles deixaram na ilha, onde construíram 16 abadias e 62 castelos no Condado de Mayo, e 121 castelos no Condado de Galway. Deixaram também 38 variantes do nome de Burgo – Burke – Bourke!
Os versáteis Burke apresentam uma diversidade de aptidões: de William de Burgh, "o conquistador da Irlanda", progenitor dos Burke na Irlanda, à "Calamity Jane"; da internacionalmente aclamada fotógrafa Margaret Bourke White, nascida em N.Y. em 1906, até de volta para casa na Irlanda com "o gentil estrela de rock", Chris de Burgh, bisneto do general Sir Eric de Burgh, do Castelo Bargy, condado de Wexford.
Em 1990, a Irlanda elegeu sua primeira presidente mulher, Mrs. Mary Robinson. Uma graduada do Trinity College, em Dublin, ela é uma destacada advogada. Ela nasceu no Condado de Mayo, onde seu pai, um Bourke, é um médico.

ENCÔMIO A LACKAGH

"My Place Amongst The Stones" (Meu Lugar Entre as Pedras) - Lackagh – Uma Pequena Vila com uma Grande História.
– Vila de Lackagh, leste da Cidade de Galway, fica na antiga Arquidiocese de Tuam. Lackagh está situada a apenas 10 milhas de Galway e é uma comunidade crescente e dinâmica... Cada canto da Irlanda carrega seu pequenino pedaço de história, e Knockdoe, na paróquia de Lackagh tem uma história interessante de antigas batalhas. A batalha de Knockdoe [Cnoc Tua, significando "O Morro dos Machados"] aconteceu em 1504, e embora não tivesse qualquer significância política real, ela foi um dos conflitos mais sangrentos da história irlandesa. Ela foi o resultado de uma desavença privada entre o Representante Real, Geróid Mor – o Grande Earl de Kildadre – e Ulick Burke, um agressivo e turbulento cabeça de Galway. Burke, ou de Burgo – o nome de família – era cabeça dos ClanRicarde em Galway do Sul. Ele buscava estabelecer sua autoridade sobre toda Connaught, e atacou e destruiu os castelos de O’Kelly – Lorde de Hymany – situados em Monivea, Garbally e Castleblakeney. Os Burke de Mayo, outro ramo da família de Burgo, juntaram forças com o Earl of Kildare para expulsar o usurpador. ClanRicarde estava vivendo em adultério explícito com a mulher de O’Kelly, e foi dito que essa foi a causa da "escaramuça". O Earl tinha o apoio de exércitos aliados de famílias líderes de Ulster, Leinster e Connaught, enquanto os Burke tinham o apoio de exércitos de Munster.
No campo de batalha e lutando pelos dois lados havia guerreiros mercenários escoceses conhecidos por "Os Gallowglass". Sua principal arma ofensiva era um machado, responsável pelo grande número de mortos e feridos. É dito, também, que foi a primeira batalha da história irlandesa onde a pólvora foi usada. Houve enormes perdas em ambos os lados, e Ulick Burke foi derrotado após um dia de lutas violentas. Ao todo, mais de 4.000 homens foram mortos na batalha de um dia.
Após a derrota, Burke (ClanRicarde) e seu clã caíram na obscuridade durante algumas décadas e os Bourke de Mayo rapinaram os espólios. Perto do cume de Knockdoe existem muitos cairns (túmulos), onde, dizem, os massacrados estão enterrados.
Lackagh tem agora um museu detalhando a história da famosa batalha, onde são guardados muitos artefatos de significado histórico. Uma pequena casa coberta de palha foi cuidadosamente restaurada, como parte do museu, e mostra como a vida era vivida nessa vila a mais de cem anos atrás. Implementos agrícolas e vários utensílios foram doados por famílias do local e dão uma idéia dos antigos métodos agrícolas. O museu e o "coffee shop" são locais populares para visitas de escolas e estudantes da história irlandesa.
As únicas batalhas travadas agora na paróquia são as do campo de "Hurling" (arremessos) entre o time local e outros times de arremesso e de futebol da Irlanda. Hurling é um jogo de velocidade e destreza jogado com "pau e bola" (hurley e sliotar), e este antigo esporte, legado pelos celtas milhares de anos atrás, é praticado atualmente com entusiasmo e vigor nesta paróquia e no resto do país. É, de fato, o esporte nacional da Irlanda.

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